Gravidez quase sempre acontece sem ser planejada em pessoas adultas, tendo conseqüências que marcam para o resto da vida. Porém, quando se trata de adolescentes a situação é muito mais preocupante, pois envolve toda a família. Um fator que determina a queda da estabilidade familiar é a falta da figura masculina exercendo seu papel de pai, pois num relacionamento onde ocorre uma gravidez, os homens são sempre o inocente enquanto que as mulheres são vistas como as que engravidaram apenas para segurar o homem. Quando se fala de pais adolescentes a situação é mas critica, ele não assume por que é imaturo, infantil, não está preparado para está responsabilidade, e assim vão acrescentando as desculpas para eles não assumirem a criança.
Os adolescentes masculinos têm consciência da sua importância presencial na formação e criação de seus filhos mesmo que não seja possível a convivência com a mãe da criança. Hoje com a modernidade é muito comum encontrarmos mães solteiras, pais que não conhecem seu filho e nem tem interesse em saber.
“No meu caso, eu optei por não cuidar do meu filho, ela foi embora e eu nunca mais tive noticia de nenhum dos dois. Vivo com peso na consciência, mas prefiro acreditar que fiz o melhor pra todos. Espero que tenha outro pai e seja muito feliz mesmo distante de mim”, conta Mario Batista, 25, desempregado. Pai de uma criança da qual teria hoje 3 anos.
Segundo José Coelho, hoje com 35 anos, conta que ser pai aos 15 anos era muito mais difícil do que nos dias de hoje, pois naquela época não havia compreensão por parte dos pais e da sociedade. Os pais destes adolescentes eram obrigados a toma uma decisão, ou assumia a criança em lugar dos filhos, ou entregava ao jovem a responsabilidade de ser pai tão novo e optava por abandonar a escola para ir em busca do emprego para poder sustentar a criança. Se os avos resolvessem assumir a criança, os pais eram obrigados a não interferir na educação dos mesmos, isso acabava por incentivar esse jovem a ter outro filho já que aquele não lhe pertencia mais. “No meu caso eu assumir meu filho e não mim arrependo, mais tive que abandonar os estudos e até hoje não conseguir completar”, desabafa.
Luiz Cláudio Silva, 16 anos, estou muito feliz por ser pai pela primeira vez, espero que ele ou ela me ame com eu estou amando muito ser pai. A situação esta muito complicada porém recebemos ajuda de nossos parentes. Estamos trabalhando pela primeira vez e curtindo muito essa gravidez, faço pré-natal com ela, recebo incentivo do medico que faz o acompanhamento, participo da palestra, estou cada dia mais empolgado. Meu pai diz que tudo são mil maravilhas por que sou marinheiro de primeira viagem ele quer ver é depois que o bebê nascer se a empolgação continuara a mesma.
Sociedade cruel
Esta sociedade, na qual estamos inseridas, ainda não está preparada para divide espaço com esse novo grupo social, formado por pessoas inexperientes. No jornal diário de Recife, foi publicada uma noticia que deixou a comunidade perplexa, intitulada como “Colégio expulsa estudante que engravidou namorada”, isso ocorreu no dia 19 de junho de 1998.
“Na última terça-feira, a namorada do estudante, V. M. (15), que está grávida a 5 meses de C. N. (15), foi esperá-lo na saída do colégio X. (…) No dia seguinte, o jovem C.N foi chamado pela coordenadora do 2º grau do colégio X para uma conversa. ‘Ela me perguntou se eu conhecia a menina gestante. Eu disse que era minha namorada e que o filho era meu. Aí ela me disse que eu não poderia continuar estudando nessa escola’, afirmou C. N. (Folha de Pernambuco, 1998, caderno Grande Recife, p. 03)”.
Segundo o syte, http://www.papai.org.br. A experiência de apoio a pais adolescentes em outros paises (a maioria deles pertencentes ao chamado “primeiro mundo”) tem registrado movimentos diametralmente opostos. Em paises como EUA, Canadá e Inglaterra, preocupados com o futuro profissional de adolescentes que se tornam pais ou mães, ao invés de expulsá-los, expurgá-los, condená-los a sair “do paraíso” (Adão e Eva que o digam), eles criam condições dentro das escolas que favoreçam a aprendizagem desses jovens pais no tocante a cuidados infantis”.
Estatística
Na região Sudeste, o estado tem a maior índice de gravidez na faixa etária entre 15 a 19 anos, com 19,5% de casos. A média do Brasil é de 19,9%. A situação atual melhorou um pouco de seis meses pra cá, quando o Espírito Santo era campeão nacional em casos de gravidez na adolescência. No ano de 2000, mais de 13% das adolescentes capixabas engravidaram. Na época, a média nacional era de 9,1%. No município da Serra, o índice de gravidez de adolescentes registrado em 2004 foi de 29,1%. Naquele ano o numero de grávidas atendidas pela rede foi de 2.541, sendo 740 adolescentes.
Em Vila Velha, segundo dados da Secretária de Saúde, de janeiro a setembro deste ano já são 18 gestantes com idades entre 10 a 14 anos: o dobro do ano passado. Na faixa dos 15 aos 19 anos são 781 até agora – durante todo o ano de 2005, foram 856 casos. Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, a maior incidência dos casos de gravidez precoce na faixa dos 10 aos 19 anos ocorre na Grande Terra Vermelha e no bairro Ulisses Guimarães.
Filhos de pais adolescentes
60% dos filhos de mães adolescentes têm pai com menos de 19 anos; *
10% dos 3 milhões de partos que acontecem por ano no Brasil são de filhos de pais adolescentes; *
0,6% dos bebês nascidos vivos em Minas Gerais no ano de 2004 são filhos de mães entre 10 e 14 anos, o que corresponde a 1.631 crianças; **
12,7% dos bebês nascidos vivos em Minas Gerais no ano de 2004 são filhos de mães entre 15 a 18 anos, o que responde a 35.386 crianças. **
* Fonte: estimativa do Instituto Papai
** Fonte: Ministério da Saúde
Opinião
O jornalista Gilberto Amendola, preocupado com a falta de interesse pela questão de ser pai na adolescência desenvolveu uma pesquisa onde reuniu cerca de 30 adolescentes em vários estados brasileiros e buscou entender o que se passa na cabeça e na vida dos meninos quando se depara com a situação de ser pai. A partir dessa pesquisa ele lançou o livro em São Paulo, meninos grávidos – o drama de ser pai adolescente (Ed. Terceiro Nome, 96 págs.).
Durante uma entrevista dada ao site do papai, o jornalista fala sobre as principais dificuldades que os meninos enfrentam quando se tornam pais. O primeiro é o preconceito e os rótulos que eles recebem. Segundo, a escola que não acolhe esse garoto (eles são praticamente obrigados a abandonar os estudos); a pressão por “colocar dinheiro em casa” e o total esquecimento durante os nove meses de gestação.
Fique bem informado:
Gravidez Precoce
Planejamento Familiar